Em outra encarnação, no século passado, fui
programador de rádio FM. Foi nessa outra vida que tomei contato pela primeira
vez com a música inesgotável de Prince Rogers Nelson. Estávamos na discoteca da
emissora, monitorando as rádios concorrentes, quando súbito me vi arrebatado
por um som irresistível: uma mistura dançante e explosiva de batera, guitarra e
teclados. Virei-me então para Mr. Alby, dublê de decano dos programadores e DJ
nos bailes funk da periferia, meu mentor à época no aprendizado da arte
da programação musical, e demandei: Uau! Que som é esse?! Impassível, o mestre
sacou da bolsa um Lp e decretou com ar blasé (desprezando minha ignorância
palmar): “Esse som? Ora, isso é Prince, meu caro”. A música chamava-se “1999”,
faixa-título do primeiro álbum-duplo do sujeito, mas que por conta desses
absurdos do mercado fonográfico nacional foi desmembrado inicialmente e lançado
em dois discos, dos quais só consegui da gravadora então o primeiro (tempos
depois adquiri o CD completo).
Daí para frente minha coleção, meu prazer e
minha veneração pelo cara só aumentaram. Prince foi, disparado, um dos mais
completos, prolíficos e criativos músicos pop de todos os tempos. No mesmo nível,
e com a mesma versatilidade instrumental e talento para a composição, só me
lembro, na sua praia e estilo, de Stevie Wonder. Sem brincadeira.
Obviamente influenciado por, entre outros,
roqueiros como Little Richard e Jimi Hendrix, ou soul fathers como James
Brown, Smokey Robinson, Marvin Gaye e Sly Stone, ele sempre arrasou no palco, além de legar registrado um
volume de produção simplesmente estúpido – de tão grande -, não deixando pedra
sobre pedra em matéria de gêneros musicais. E sempre acompanhado de bandas
afiadas, onde nunca faltou espaço para outros talentos, de ambos os sexos (e
põe belos sexos nisso!).
Muito vai se falar ainda sobre sua morte
prematura e sua vida, cheia de poses, mistérios e de indefectíveis jogadas de
marketing.
Quanto a mim, em respeito à sua música, e em
memória da minha velha e abandonada vocação de DJ, me despeço do Artista,
sugerindo alguns clipes e uma discografia básica e favorita para quem ainda não
teve o prazer de escutar com atenção (e dançar, é claro!):
- 1999 (1982);
- Purple Rain (1984);
- Parade (1986);
- Sign o’ the times (1987);
- Batman (trilha do filme, de 1989);
- Diamonds & pearls (1991);
- Come (1994);
- Chaos & disorder (1996);
- 3121 (2006).
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