sexta-feira, 22 de abril de 2016

Um caleidoscópio chamado Prince

Em outra encarnação, no século passado, fui programador de rádio FM. Foi nessa outra vida que tomei contato pela primeira vez com a música inesgotável de Prince Rogers Nelson. Estávamos na discoteca da emissora, monitorando as rádios concorrentes, quando súbito me vi arrebatado por um som irresistível: uma mistura dançante e explosiva de batera, guitarra e teclados. Virei-me então para Mr. Alby, dublê de decano dos programadores e DJ nos bailes funk da periferia, meu mentor à época no aprendizado da arte da programação musical, e demandei: Uau! Que som é esse?! Impassível, o mestre sacou da bolsa um Lp e decretou com ar blasé (desprezando minha ignorância palmar): “Esse som? Ora, isso é Prince, meu caro”. A música chamava-se “1999”, faixa-título do primeiro álbum-duplo do sujeito, mas que por conta desses absurdos do mercado fonográfico nacional foi desmembrado inicialmente e lançado em dois discos, dos quais só consegui da gravadora então o primeiro (tempos depois adquiri o CD completo).



Daí para frente minha coleção, meu prazer e minha veneração pelo cara só aumentaram. Prince foi, disparado, um dos mais completos, prolíficos e criativos músicos pop de todos os tempos. No mesmo nível, e com a mesma versatilidade instrumental e talento para a composição, só me lembro, na sua praia e estilo, de Stevie Wonder. Sem brincadeira.
Obviamente influenciado por, entre outros, roqueiros como Little Richard e Jimi Hendrix, ou soul fathers como James Brown, Smokey Robinson, Marvin Gaye e Sly Stone, ele sempre  arrasou no palco, além de legar registrado um volume de produção simplesmente estúpido – de tão grande -, não deixando pedra sobre pedra em matéria de gêneros musicais. E sempre acompanhado de bandas afiadas, onde nunca faltou espaço para outros talentos, de ambos os sexos (e põe belos sexos nisso!).
Muito vai se falar ainda sobre sua morte prematura e sua vida, cheia de poses, mistérios e de indefectíveis jogadas de marketing.
Quanto a mim, em respeito à sua música, e em memória da minha velha e abandonada vocação de DJ, me despeço do Artista, sugerindo alguns clipes e uma discografia básica e favorita para quem ainda não teve o prazer de escutar com atenção (e dançar, é claro!):

- 1999 (1982);
- Purple Rain (1984);
- Parade (1986);
- Sign o’ the times (1987);
- Batman (trilha do filme, de 1989);
- Diamonds & pearls (1991);
- Come (1994);
- Chaos & disorder (1996);
- 3121 (2006).



Nenhum comentário:

Postar um comentário